A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, entregou na manhã desta terça-feira (13/5) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando o seu desligamento do cargo em caráter irrevogável. Nesta mesma tarde, Lula aceitou o pedido.
Para Paulo Moutinho, coordenador do programa de mudança climática do IPAM, o pedido de demissão da Ministra Marina representa a queda do último pilar de esperança (e razão) de se ter uma política governamental ambiental com alguma chance de mudar o paradigma do desenvolvimento a qualquer custo. “É preciso reconhecer que, mesmo sob um desgaste político enorme, Marina manteve-se convicta de suas idéias e lutou como ninguém por uma política mais adequada ao meio ambiente. Esta luta está refletiva, por exemplo, no avanço que o país obteve nas questões relacionadas à mudança climática associadas às emissões de gases de efeito estufa oriundas do desmatamento na Amazônia”, disse.
Segundo Moutinho, “por uma postura corajosa e inovadora, o Brasil deu passos importantes na construção de uma nova posição frente a negociação internacional de clima: assumiu que se deve enfrentar de frente e de modo propositivo, e não defensivo, as questões relacionados a alteração do clima. É uma pena a sua saída. O governo perde o que lhe restava de mais precioso na política ambiental. Sai Marina, triunfa um PAC capenga de abordagens socioambientais e duvidoso quando aos resultados que pode alcançar.”
Na carta de demissão, a ministra lista os avanços feitos durante o governo na área ambiental, entre eles as políticas de combate ao desmatamento e o plano nacional de mudanças climáticas, e relembra o decreto editado no fim do ano passado, impedindo investimentos de bancos em propriedades situadas nos municípios responsáveis pelos maiores desmatamentos. Contudo, na carta de demissão, ela ressaltou que, junto com sua equipe, sofreu fortes resistências ao trabalho e as propostas do ministério e que isso a levou a pedir demissão. Segundo a carta, seu afastamento "decorre das dificuldades que têm enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental."
"Durante essa trajetória, vossa excelência é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade ao mesmo tempo, de outros setores tivemos parceria e solidariedade. Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental", disse Marina Silva em carta.
Segundo ela, sua saída do governo representa o fim de um ciclo "cujos resultados foram significativos, apesar das dificuldades. Entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade brasileira e o governo é buscando, no Congresso Nacional (Marina foi eleita senadora pelo Acre em 2002 e deve retomar as funções), o apoio político fundamental para a consolidação de tudo que conseguimos construir e para a continuidade da implantação da política ambiental", disse Marina.