Um acordo entre o governo da Guiana e um fundo de capitais britânico permitirá, pela primeira vez, o pagamento pelos serviços ambientais de uma floresta em pé na Amazônia. Uma área de 405 mil hectares será mantida como uma provedora de serviços vitais, como regulação de chuvas, armazenagem de carbono e regulação do clima. A informações foi publicada no jornal Folha de S. Paulo, de 28 de março, e afirma que o acordo, anunciado nesta semana em Nova York, pode abrir caminho para que mercados financeiros desempenhem um papel-chave na proteção das florestas tropicais do mundo.
A iniciativa, fechada com a empresa Canopy Capital, segue a oferta extraordinária da Guiana, feita no ano passado, de entregar todas as suas florestas a um organismo internacional em troca de auxílio financeiro ao desenvolvimento. A Guiana tem hoje 80% de suas florestas preservadas.
Para Paulo Moutinho, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM), “será cada vez mais comum investimentos do tipo ao que está sendo proposto na Guiana pelo fundo de capitais britânico. O fato é que o mundo, cada vez mais, está reconhecendo que manter florestas tropicais resulta numa prestação de serviço ambiental que, como tal, pode ter valor de mercado”.
Moutinho, no entanto, considera um exagero incluir a chuva como um destes serviços a serem valorados, apesar de acreditar que não há como evitar essa tendência. “O que será preciso é uma vigilância por parte da sociedade em monitorar tais projetos e iniciativas, para que seja garantida a plena transferência de benefícios para a sociedade, e também dos governos, para que regulamentem tal mercado e ações”, disse.
Esse novo mercado de commodities ambientais, para o diretor do IPAM, necessitará de regulamentação, garantias de longo prazo para os investidores e distribuição de direitos e benefícios sociais. “Esse cenário que se abre agora com esses investimentos é, sem dúvida, melhor do que o atual. Hoje se considera necessário remover a floresta para viabilizar o crescimento econômico, como acontece na Amazônia brasileira, onde mais de 70% do desmatamento é para viabilizar uma pecuária extensiva de baixa rentabilidade. No futuro, manter floresta pode representar a alavanca do crescimento econômico para muitos países.”