Indígenas e povos tradicionais devem participar de todas as fases de negociação e implantação dos mecanismos de compensação ambiental, diz representante da ONU
Manaus – Cerca de 70 participantes são esperados para a abertura, nesta terça-feira (1/4), às 17h30, do workshop “Mudanças Climáticas e Povos das Florestas: Avançando na Discussão sobre Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) e Direitos dos Povos Indígenas e Tradicionais”, que acontece até a próxima sexta-feira (4/4), em Manaus. Realizado pela Aliança dos Povos das Florestas, o encontro terá a participação de líderes de comunidades florestais de dez países latino-americanos (Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Nicarágua, Venezuela, Suriname e Panamá), que pretendem chegar a um consenso sobre a posição dos povos das florestas em relação à compensação econômica pelos serviços ambientais que prestam ao planeta. São 17 delegados brasileiros e 14 dos outros nove países da América Latina.
Além disso, haverá cerca de 25 observadores, com representantes do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas, lideranças de comunidades da Indonésia (Ásia) e República do Congo (África), representantes dos governos da Bolívia e do Brasil e de organizações não-governamentais da Inglaterra e dos Estados Unidos.
Elisa Canqui Mollo, do Fórum Permanente da ONU, que participará da abertura do evento, disse que neste momento todos os esforços feitos pelos povos das florestas estão eclodindo, o que é uma oportunidade. “No entanto, temos a convicção de que, quaisquer que sejam os mecanismos de pagamento por serviços ambientais, precisam ser elaborados com a participação dos povos indígenas e tradicionais desde o desenho original, o desenvolvimento e a implementação. Isso é fundamental. E vale não só para os países da América Latina, como para todo o universo das comunidades florestais.”
O Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas é composto por 16 membros, dos quais oito são representantes de governo e oito de nações indígenas mundiais. Representante da etnia Aymara, da Bolívia, Elisa Mollo teme que os mecanismos de compensações por desmatamento evitado a serem criados sejam destinados aos governos, para programas de monitoramento e capacitação, e não cheguem às comunidades indígenas e tradicionais. “É preciso capacitar governos e povos tradicionais ao mesmo nível e ao mesmo tempo”, disse.
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