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Postado em 10-12-2009 às 16:09
COP 15 – O velho problema: quem paga a conta?
Paulo Moutinho, Blog IPAM
Participo desde 1998 das Conferências das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudança Climática. Como há dez anos, o grande problema é quem paga a conta. Trocando em miúdos, os países em desenvolvimento dizem que os ricos devem pagar a conta relacionada às ações de redução de emissões de gases de efeito estufa, pois foram eles que iniciaram o processo de “sujar” a atmosfera a partir da revolução industrial. Os desenvolvidos (ou ricos) dizem que só assumem integralmente suas responsabilidades históricas se os em desenvolvimento aceitarem mais compromisso.
A cada COP esse embate permeia os debates e na COP 15 não é, de todo, diferente. Contudo, nesta COP o sentido de urgência se faz presente por todos os lados. A sensação de que não temos muito mais tempo para conversa para acertar o quanto cada país pode fazer.
O fato é que para que possamos manter a “habitabilidade” do planeta, temos que reduzir as emissões globais em pelo menos 40% abaixo dos valores de 1990. Nesta discussão sobre quem paga o que, o grande impasse é o volume de recursos que os países desenvolvidos devem transferir para os em desenvolvimento para que estes promovam reduções adicionais, mas não obrigatórias, de suas emissões.
Avaliações recentes indicam um custo para a redução global de 55% das emissões de GEE (incluindo desmatamento), isto é, reduzindo das 70 bilhões de toneladas estimadas em 2030 para 32 bilhões, seria de US$90/tCO2e. O custo médio mundial de redução, contudo, seria de US$ 27/tCO2e, um valor muito acima do custo no Brasil (US$ 13/tCO2e) calculado pelo mesmo estudo. Porém, o custo de redução das emissões por desmatamento é menor (US$ 3-6/tCO2e), algo por volta de US$ 3-12 bilhões/ano até 2030. Na Amazônia, segundo estudo do IPAM e parceiros, publicado nesta semana na revista “Science”, estima-se que esse valor possa ser de até de US$ 1,8 bilhões por ano. Já a União Europeia calcula que um custo de 100 bilhões de euros por ano até 2020.
Nesta sopa de números, o que fica evidente é a preocupação com os custos das ações de mitigação. Não consideram, como já alertado pelo economista Nicholas Stern, que ações não realizadas agora elevarão os custos de combate às mudanças climática no futuro. O que parece custo hoje poderá significar vantagem econômica no futuro. Nesse contexto, o Brasil poderá ter um papel importante se, de forma correta, aproveitar as oportunidades que se abrem com a nova economia de baixo carbono que desponta e encarar suas florestas como um pré-sal verde, pois representam grandes armazéns de carbono que, sob a guarda de povos indígenas e comunidades tradicionais, poderão gerar crescimento econômico e contribuições efetivas do país para a redução das emissões de gases que aquecem o planeta.
- Autor: Paulo Moutinho
- Assuntos: COP 15

