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Postado em  14-12-2009  às  11:44 

Dia frio, filas, personalidades e reuniões acaloradas

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Raquel Dieguez

O dia amanheceu sem sol e com muito frio, quase nevando. O Bella Center, que na última semana acomodou confortavelmente parte das 34 mil pessoas que se registraram para o evento, hoje parecia pequeno e mal organizado. Quem já havia se cadastrado e tinha o crachá não encontrou facilidades: as filas na entrada eram um aglomerado de gente e o tempo de espera, no frio, chegou a cerca de uma hora. Quem estava chegando nesta segunda-feira – negociadores, líderes políticos e público em geral – se deparou com o caos completo. Houve quem esperasse até quase seis horas para ter acesso ao interior do centro de conferência.

Em meio ao tumulto e a manifestações cada vez mais acaloradas, chegam também as personalidades políticas. Autoridades brasileiras, como o governador do Estado de São Paulo, José Serra, a ministra da casa civil, Dilma Rousseff, chefe da Delegação Brasileira, e os governadores de oito dos nove Estados amazônicos. No evento paralelo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e Woods Hole Research Center, a sala lotada com mais de 250 pessoas mostrava o interesse no tema de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Floresta), iniciativas locais e estudos sobre a realidade Brasileira. No evento, Josef Kellndorfer, cientista associado ao WHRC, apresentou o projeto que visa à produção de dados pantropicais para apoiar o monitoramento da cobertura florestal e o estoque de carbono. Dando continuidade, Daniel Nepstad, cientista do Woods Hole e coordenador de pesquisa do Ipam, trouxe informações sobre o recente estudo publicado na revista científica Science intitulado "The End of Deforestation in the Brazilian Amazon" (O Fim do Desmatamento na Amazônia Brasileira).

O evento seguiu com Paulo Moutinho (Ipam) discursando sobre a realidade brasileira no que diz respeito ao desmatamento florestal, possibilidades e preparação necessária para a implementação de um mecanismo de REDD. Depois de responder a perguntas sobre detalhes técnicos do mecanismo, Paulo Moutinho apresentou a próxima painelista, a senadora Marina Silva (PV-AC). Segundo a senadora, REDD é, em suma, um mecanismo que deve ser defendido, mas com a condição que leve em conta os direitos e interesses dos povos indígenas e comunidades tradicionais, aqueles que historicamente defendem a floresta. Estes, segundo a senadora, devem ser recompensados pelo papel histórico e de conservação futura da floresta.

Fora do centro de convenções aconteceu outro evento. Numa vizinhança com clima industrial, dez minutos a pé do metrô mais próximo e com 50 minutos de atraso, começou o Fórum dos Governadores Amazônicos. O clima era de mostrar realizações, às vezes ilustradas por vídeos, e sempre por falas entusiasmadas.

A mensagem fundamental é de que os Estados amazônicos se encontram, pela primeira vez, em total sintonia na busca de objetivos comuns: redução drástica e contínua do desmatamento florestal, apoio a um desenvolvimento sustentável que valorize a floresta em pé e traga prosperidade e ‘dignidade’ ao povo amazônico e, enfim, um mecanismo de REDD que, com a finalidade de reduzir emissões de CO2, acabe com o desmatamento e beneficie finalmente aqueles que sempre a protegeram: povos indígenas, comunidades tradicionais e aqueles que estrategicamente se adaptarão a essa nova realidade, pequenos e grandes produtores que, na Amazônia fértil, irão continuar produzindo e trazendo desenvolvimento, porém sem a necessidade de maior desmatamento e degradação.

A semana apenas começou. Na esperança do mundo e trabalhos de tantos, presenciamos aqui um momento histórico. Se Obama vem, não sabemos, mas o mote aqui é "Sim, Nós Podemos".

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