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Postado em  11-12-2009  às  18:29 

Impasse adquire nova forma com avanço de negociações

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Osvaldo Stella, IPAM

O embate sobre metas e financiamentos das ações de mitigação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento já é consolidado há alguns anos dentro da convenção, mas à medida que o tempo passa esse conflito vai adquirindo novas formas. Na COP15, por exemplo, os Estados Unidos querem criar um novo protocolo para substituir o Protocolo de Quioto, onde haveria nesse modelo a inclusão dos EUA, como também a inserção de metas para os países em desenvolvimento, o que não é previsto no Protocolo de Quioto. Por outro lado, os países em desenvolvimento buscam fortalecer e expandir o Protocolo de Quioto com seus conceitos originais, ou seja, metas obrigatórias para os países desenvolvidos e não para aqueles que estão em desenvolvimento. A questão fundamental desse “jogo” é que os países desenvolvidos relutam em apresentar metas ambiciosas de redução de efeito estufa por entenderem que hoje os países em desenvolvimento, principalmente China, índia e Brasil, têm uma contribuição grande no processo de emissão.

A notícia de grande repercussão hoje foi que a China superou os EUA na produção de automóveis, mas historicamente os países desenvolvidos são os criadores do efeito estufa, pois a economia vem crescendo num ritmo acelerado e é baseada no consumo de combustíveis fósseis. Com isso, chega-se nesse embate, em que os países em desenvolvimento questionam os desenvolvidos por quererem impor restrições às suas emissões no momento que estes estão se desenvolvendo. Infelizmente esse argumento não é válido, pois já não se tem a opção de alcançar o desenvolvimento da maneira como era feito antigamente. A questão agora é definir quem é que vai pagar a conta e no caso dos países em desenvolvimento adotarem um caminho diferente em relação ao crescimento econômico.

Além disso, há a discussão de que no Estado do Rio de Janeiro/Brasil está sendo construída a Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma das maiores siderurgias do país, que é um investimento de uma empresa alemã. Espera-se, inclusive, que a Alemanha se torne a nação que mais investirá no Brasil nos próximos anos. Então, a configuração de acordos na COP, baseadas em metas de redução de emissões, tem que implantar esse tipo de situação, uma vez que a construção dessa siderurgia no Brasil irá aumentar significativamente o nível de emissão de gases de efeito estufa do Estado Rio de Janeiro. Nesse caso, qualquer acordo feito deverá pensar em um mecanismo que preveja esse tipo de cenário, em que países desenvolvidos assumem metas ambiciosas, mas deslocam setores poluidores de indústrias para países em desenvolvimento, sendo que, para o contexto de mudança climática, não fará diferença alguma.

Para ouvir o Podcast: http://www.ipam.org.br/mais/podcastitem/id/55

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