Postado em 13-11-2009 às 11:49
Queda no desmatamento - A comemoração deve ser comedida
Paulo Moutinho, IPAM
A taxa de desmatamento para 2008/09 abaixo dos 10 mil km2 é motivo para comemorar, pois desenha-se uma tendência de queda consistente, fugindo do sobe e desce das taxas na última década. Em boa medida, os números do desmatamento anunciados se devem a ações do governo e postura da sociedade. A criação de mais áreas protegidas da Amazônia a partir de 2003, a edição de decretos, ainda na gestão de Marina Silva, que acabam o crédito a quem continua desmatamento ilegalmente e, até certo ponto, o crescimento de uma nova consciência ambiental e climática, nos setores produtivos e na sociedade em geral, podem ter ajudado a diminuir o avanço da destruição da floresta.
A comemoração, contudo, deve ser comedida. Primeiro, porque, apesar das ações de governo, uma boa parte da queda nas taxas ainda pode ser explicada pela queda de preços das commodities e pela crise econômica mundial. Sem dinheiro, não se derruba floresta. Segundo, não há ainda por parte do governo como um todo, um compromisso claro com redução drástica e rápida, para não dizer extinção, do desmatamento. Apesar dos esforços do Ministério do Meio Ambiente e do Ministro Minc, há ainda um receio grande de que reduzir desmatamento significará menos desenvolvimento ou redução do PIB no futuro.
Parece que a cúpula do governo não entendeu que uma economia de baixo carbono está se instalando no mundo e que o Brasil tem tudo para fazer crescer ainda mais o PIB conservando suas florestas, intensificando a produção e gerando energia limpa. É só uma questão de tempo. Mas, como seguir numa trajetória de redução de desmatamento com ações do PAC que nada tem de ambiental? Como seguir com o claro apoio do governo à bancada ruralista do Congresso que quer o desmantelamento da legislação ambiental? O anúncio recente da intenção do governo em assumir uma meta (é isto mesmo, meta!) de redução de emissões nacionais pode ser a chance de o Presidente Lula consolidar de vez uma trajetória de extinção do desmatamento, não só na Amazônia, mas também no esquecido cerrado e outros biomas. Tomando esta decisão, Lula demonstrará um compromisso com o futuro e não somente com o processo eleitoral que se aproxima.
Depoimento dado ao site O Eco, www.oeco.com.br.
- Autor: Paulo Moutinho
- Assuntos: Políticas Públicas

