30 de Dezembro de 2009
Meta de redução de gases acertada em Copenhague vai virar lei no Brasil
Matéria do Bom Dia Brasil
Paulo Moutinho do IPAM em entrevista ao Bom Dia Brasil. Veja Link no final da matéria. A meta de redução de gases poluentes acertada na Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, vai virar lei no Brasil. Cada setor terá que fazer a sua parte.
O que está certo, com a nova lei, é o compromisso do Brasil, de poluir menos, nos próximos dez anos. Mas o governo ainda vai decidir em janeiro qual será o papel de cada setor, como a indústria, o comércio, o agronegócio. A lei - que é um estímulo a mudanças de hábitos - deve ser publicada hoje (29), em uma edição extra do Diário Oficial.
“A sociedade terá que se mobilizar, o cidadão tem que se conscientizar das suas práticas, das suas atitudes, buscar o consumo mais sustentável de produtos que emitam menos carbono”, explica o professor da Universidade de Brasília Saulo Rodrigues Filho.
Separar o lixo, evitar desperdício de água, apagar a luz sempre que possível. Se a população pode ajudar, imagine setores como indústria, agropecuária e construção civil.
O governo promete definir responsabilidades. Detalhar tudo em um decreto até fevereiro. Será uma espécie de roteiro, o que cada setor da economia deve fazer na luta contra os gases que provocam o aquecimento global.
A lei de mudanças climáticas manteve o compromisso de diminuir a emissão de gases de efeito estufa em até 39% nos próximos dez anos. Mas a pedido do Ministério de Minas e Energia, o presidente Lula vetou medidas que poderiam limitar o uso de combustíveis, como gás natural e petróleo.
“O veto tem uma razão de ser, no sentido de que não se pode fazer uma mudança grande da matriz energética de um país do dia para a noite. Mas, certamente, a sociedade brasileira como a sociedade planetária terá que enfrentar essa questão da substituição gradual e o abandono do uso dos combustíveis fósseis”, diz o diretor do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, Paulo Moutinho.
A lei estabelece preferência para tecnologias limpas. Não basta apresentar preços baixos para vencer uma licitação. Tem mais chance de fechar negócio com o governo a empresa com propostas ecologicamente corretas.
“Quando você for fazer uma licitação, não é só quem der o melhor preço, também vai ser levado em conta aquela tecnologia que emita menos e que propicie maior economia de água, energia e outros recursos. Ou seja, não adianta você ter uma meta geral de clima se os instrumentos financeiros e econômicos não traduzirem isso”, explica o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Ontem, o meio ambiente foi assunto de uma conversa por telefone entre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente Lula. Por quase 15 minutos, eles falaram sobre a Conferência do Clima em Copenhague. Eles concordaram que, mesmo sem acordo, o encontro não foi um fracasso. Lula disse ainda ao secretário-geral que a ONU é o local adequado para discussões sobre o assunto.
Veja vídeo e matéria na íntegra no site do G1.

