Fábio Feldmann: O papel dos fóruns para a política de mudança do clima
Mitigação do aquecimento global traz grandes desafios
MMA mantém mesmos problemas na gestão Minc
Povos indígenas querem participar do zoneamento no MT
Vira lei medida provisória apelidada de MP da grilagem
Petróleo e desmatamento juntos contra a Amazônia
São Paulo tem projeto municipal de Política Climática
Mudança no Ministério do Meio Ambiente não trouxe inovações para a proteção florestal. (Foto: Maria Fernanda/IPAM)
Apesar do estilo diferente na apresentação, não houve praticamente mudanças no Ministério do Meio Ambiente (MMA) com a substituição da senadora Marina Silva pelo ambientalista e então secretário de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro Carlos Minc, no final de maio. “O problema crônico do MMA permanece: está fora do centro de governo e continua coadjuvante. Não se enxerga o Ministério como gerador de desenvolvimento para o país”, diz Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.
Segundo Adriana Ramos, coordenadora para Amazônia do Instituto Socioambiental (ISA), é difícil avaliar algum ganho desde a entrada de Minc, pois “o quadro que fez Marina cair não mudou muito. A maior parte das medidas tomadas pelo novo ministro já estavam sendo elaboradas e negociadas e os sinais indicam que o governo federal não mudou a forma de lidar com a questão ambiental”.
Um exemplo disso, para Adriana, foi o veto presidencial ao artigo que condicionava a regularização fundiária na Amazônia à existência do zoneamento ecológico-econômico, na lei que converteu em lei a medida provisória que ampliou de 500 para 1.500 hectares o limite das áreas na Amazônia Legal que podem ser vendidas a seus ocupantes sem licitação, e a suspensão dos direitos quilombolas, ambas as medidas tomadas à revelia do MMA.
Embora considere que no combate ao desmatamento há medidas mais concretas, a ambientalista considera que, em geral, o governo estabelece medidas, mas não tem como garantir que irão funcionar. Isso representa uma ameaça, por exemplo, à Política Nacional de Mudança Climática, que pode vir a ser só um papel. “Preocupa como o MMA vai constituir apoios para lidar com essas questões. Por enquanto, não há equívocos do novo ministro, mas não temos inovação”, avalia.
Na visão de Smeraldi, a área onde o Ministério do Meio Ambiente tem sido mais efetivo é na criação de áreas protegidas. “Isso foi o principal trunfo da gestão Marina e ainda aparece um pouco no Minc. Parece que o único papel reconhecido do MMA é criar UCs. O governo pode até questionar uma ou outra, mas não se contesta que é um papel deste Ministério”, diz.
O problema, para o diretor da Amigos da Terra, é que o governo precisa das licenças do MMA e a troca de licenças por UCs parece ter se tornado, mais explicitamente nesta nova gestão do Ministério, uma moeda e uma política de Estado. “Funciona assim, dá a licença para a hidrelétrica no Rio Madeira, mas condiciona à ‘adoção’, por parte do empreendedor, do Parque Nacional Mapinguari. O mesmo aconteceu no licenciamento de Angra 3. Na prática, o MMA abre mão de regular o espaço onde se produz e se atém aos espaços de conservação. Ao invés de pedir estudos e atividades do empreendedor em relação ao projeto, pede compensações. Como não pode prevenir o passivo ambiental no local do empreendimento por conta das pressões políticas, pede que o empreendedor cuide de alguma outra área”.
Veja Também: Ambientalistas protestam contra diminuição da reserva legal
Clima em Revista, n° 5, Agosto de 2008
Clima em Revista é uma publicação mensal on-line do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM)
Edição e reportagens: Maura Campanili
Design e Produção: Plano Digital
Apoio: Embaixada do Reino Unido